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O teatro moderno e o teatro no Brasil

O teatro moderno

O teatro no Brasil

O Modernismo abalou as estruturas dos dramaturgos romanticos e realistas. No Brasil, a Semana de Arte Moderna (1922) foi duramente criticada por grandes nomes da arte Realista como Machado de Assis e Monteiro Lobato. Machado chegou a afirmar que os modernistas eram formados por uma pauliceia desvairada. Ja Lobato pode rever seus conceitos para ingressar posteriormente para o quadro de autores modernistas.
Alfred Jarry (1873 1907), autor do classico Ubu Rei foi um dos principais criticos da estetica dramatica tradicional que romperam com o Realismo, propondo uma revolucao artistica. Houve muita discussao em torno das concepcoes modernistas, que visavam estender a arte para toda a sociedade, rejeitando a arte elitista, pois, para os modernistas, a arte era o componente organico de coesao social, que despertava interesse no ser humano, promovendo educacao e divulgando a cultura de um pais. Como a cultura e a representacao dos habitos e costumes de toda a sociedade, nada mais natural do que compartilhar as conseqencias beneficas da arte com todas as pessoas dentro do estado, indiferentemente de classes sociais.
Com ideais inovadores, os textos Modernos buscaram dar mais veracidade as situacoes, viabilizando o contato maior com o publico, principalmente por causa da verossimilhanca das acoes dos personagens em relacao a sociedade. Nao havia mais uma personificacao da perfeicao trabalhada no realismo, tampouco a visao romanceada dos personagens e sim a deflagracao do homem imperfeito, ambiguo, com defeitos e qualidades diversas. Dessa busca incessante pela compreensao dos sentimentos humanos, nasceu o Surrealismo, o Dadaismo e o Abstracionismo, que culminaram nas maneiras subjetivas de representarem o homem e seu mundo, os pensamentos e as coisas inanimadas que cercam os seres humanos, afrontando a razao e colocando-a subordinada a emocao.
Foi no fim da decada de vinte que comecaram a surgir pecas teatrais modernas no Brasil, com pecas de Oswald de Andrade e Alvaro Moreyra . Porem, foi com Nelson Rodrigues que o modernismo fincou forte suas raizes na dramaturgia brasileira. Apesar da Semana de Arte Moderna ter sido arquitetada sobre o palco do Teatro Municipal de Sao Paulo, o teatro brasileiro nao havia ainda explorado decentemente o genero, de forma que, ao publico, eram apresentados espetaculos cujos temas desgastavam-se cada vez mais com o passar dos anos. Nelson Rodrigues, em sua excepcional obra Vestido de Noiva, utilizou-se de nova linguagem, abolindo a narrativa realista, cuja estetica era de textos com comeco, meio e fim, para contar a historia de maneira entrecortada e difusa, onde aos poucos e que o espectador vai compreendendo o contexto. Assim, o autor concatena, em tres momentos diferentes, tres formas de abordagem distintas, que, primeiramente apresenta a fantasia da personagem, para depois mostrar o que aconteceu em seu passado e finalmente o que acontece em seu presente, num contexto todo fragmentado com passagens que falam por si proprias uma joia da literatura e dramaturgia nacional!
Apesar do modernismo antagonizar com o naturalismo, tem quem pense que foi nesse genero que Nelson Rodrigues foi buscar os detalhes que chocam tanto os que assistem suas pecas. Vestido de Noiva e uma obra prima pois, apesar de ser uma obra moderna, possui, em momentos destacados, fortes caracteristicas expressionistas e realistas. Um outro autor modernista que utilizou-se de expressoes extremadas em seus textos, abordando um cotidiano insano, com uma forte critica a sociedade brasileira, foi o celebre Plinio Marcos, autor de, entre outros classicos, Dois Perdidos Numa Noite Suja, peca que, em dois atos, aponta os problemas sociais latentes em Sao Paulo, contando a historia de dois homens muito pobres que trabalham e moram juntos, que convivem na base da disputa de status, o que culmina na briga dos dois e na morte de um deles. Assim como Nelson Rodrigues, Plinio Marcos foi buscar no Naturalismo seu contexto chocante, sua visao pessimista a respeito do que assunta em suas pecas teatrais, o que muitos condenam, erroneamente como mau gosto. Nelson Rodrigues foi duramente criticado por apresentar temas proibidos e imorais, por quebrar tabus e abordar assuntos como sexualidade, lenocinio, adulterio, etc., mas o que se passa nas entrelinhas de pecas teatrais como Engracadinha e Bonitinha, Mas Ordinaria, e um grito em favor da moralidade, uma deflagracao da imoralidade humana em prol da conscientizacao da sociedade. O Teatro Moderno ganha importancia nesse aspecto, por expor assuntos polemicos de maneira aberta, profunda, democratica e com a riqueza de detalhes que permitem o espectador criticar, debater, pensar nas proprias atitudes e posicionar-se diante daquilo que participa e ve.

O teatro colonial, entre os seculos XVII e XIX, epoca do barroco, e influenciado por Portugal. Os jesuitas escrevem autos, encenados pelos indigenas, visando a catequese: o padre Jose de Anchieta e o autor mais importante. Do teatro mineiro setecentista preserva-se O Parnaso Obsequioso, de Claudio Manuel da Costa. No Rio de Janeiro, na segunda metade do seculo XVIII, o teatro do padre Ventura encena as "operas" (comedias entremeadas de cancoes) de Antonio Jose da Silva (1705-1739), o Judeu. Em 1810, dom Joao VI manda construir o Real Teatro de Sao Joao, atual Teatro Joao Caetano.
Durante o Imperio, diversos escritores ligados ao romantismo, como Jose de Alencar , escrevem para teatro. Nessa epoca surge o primeiro grande ator brasileiro, Joao Caetano (1808-1863) . Na segunda metade do seculo XIX, em reacao ao romantismo, o realismo ganha forca.
No inicio do seculo XX, os autores ligados ao simbolismo copiam modelos europeus, a excecao de Joao do Rio, pseudonimo de Paulo Barreto (1881-1921), Roberto Gomes (1882-1922) e Paulo Goncalves (1887-1927). Um estilo nacionalista e regional manifesta-se nas pecas de Claudio de Sousa (1876-1954) e Gastao Tojeiro (1880-1962).
Apos a Semana de Arte Moderna (1922), o modernismo influencia a producao teatral no Brasil. Entre os autores da epoca se destacam Viriato Correia (1884-1967), Oduvaldo Vianna (1892-1972) e Armando Gonzaga (1889-1954).
Modernizacao Na decada de 40, atores do Leste Europeu refugiam-se no Brasil, como o ucraniano Eugenio Kusnet (1898-1975), que introduz o metodo Stanislavski no Teatro Oficina, e o polones Zbigniew Ziembinski (1908-1978) . A montagem, por Ziembinski, de Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues (1912-1980) , em 1943, transforma o papel do diretor de teatro no Brasil e a obra revoluciona a dramaturgia brasileira.
Em 1948, o italiano Franco Zampari (1898-1966) funda o Teatro Brasileiro de Comedia (TBC) em Sao Paulo, que revela os atores Nidia Licia (1926-), Paulo Autran (1922-), Cacilda Becker (1921-1969), Sergio Cardoso (1925-1972), Fernanda Montenegro (1929-) e traz os diretores italianos Luciano Salce (1922-) e Adolfo Celi (1922-1986), com quem se formam Flavio Rangel (1934-1988) e Antunes Filho (1929-). Apos a morte de Zampari, a crise economica faz o TBC dividir-se em varias companhias.
Escolas Em 1938, Pascoal Carlos Magno (1906-1980) cria, no Rio de Janeiro, o Teatro do Estudante, que lanca Sergio Cardoso, a primeira estrela do palco a se tornar um popular ator de telenovelas. No final da decada de 40, o Servico Nacional de Teatro patrocina a formacao de grupos experimentais. A Raposa e as Uvas, de Guilherme de Figueiredo (1915-1997), e aclamada no exterior. Destacam-se tambem a obra de Pedro Bloch (1914-) e a do humorista Millor Fernandes (1924-). Em 1948, Alfredo Mesquita (1907-1986) funda a Escola de Arte Dramatica (EAD) em Sao Paulo, e Lucia Benedetti (1914-) cria, no Rio, o teatro infantil feito por adultos. Na decada de 50, sua seguidora, Maria Clara Machado (1921-), abre o Tablado, centro de formacao de atores, ainda em atividade.
Preocupacao social As questoes sociais passam a ser discutidas nas pecas brasileiras na decada de 50. Nelson Rodrigues desperta polemica com pecas consideradas escandalosas. Jorge Andrade (1922-1984) retrata as transformacoes da sociedade paulista. Fora do eixo Rio-Sao Paulo, Ariano Suassuna (1927-) inova o teatro regionalista. No final da decada, a prioridade dada pelo TBC a textos estrangeiros e rejeitada pela nova geracao de atores e diretores, que prefere autores nacionais e ve o teatro como meio para transformar a realidade brasileira.
Em Sao Paulo, nos anos 60, o Teatro de Arena revela Augusto Boal (1931-), Gianfrancesco Guarnieri (1934-) e Oduvaldo Vianna Filho No Grupo Oficina, Jose Celso Martinez Correa (1937-) monta pecas politizadas de Maksim Gorki, Bertolt Brecht, Max Frisch; redescobre O Rei da Vela (1937), de Oswald de Andrade , proibida pelo Estado Novo; e cria Roda Viva, do compositor Chico Buarque de Holanda. Morte e Vida Severina, auto nordestino de Natal, de Joao Cabral de Melo Neto, e montado pelo Teatro da Universidade Catolica de Sao Paulo (Tuca) e premiado no Festival Internacional de Teatro de Nancy, na Franca. No final da decada de 60, a dramaturgia realista e renovada por Plinio Marcos (1935-) , Braulio Pedroso (1931-1990) e Lauro Cesar Muniz (1938-).
Na decada de 70, a censura do regime militar obriga os autores a encontrar uma linguagem que drible as proibicoes. A geracao dessa fase pertencem Mario Prata (1946-), Fauzi Arap (1938-), Antonio Bivar (1939-), Leilah Assumpcao (1943-) e Consuelo de Castro (1946-), entre outros. O argentino Victor Garcia faz montagens revolucionarias em Sao Paulo: Cemiterio de Automoveis, de Fernando Arrabal, e O Balcao, de Jean Genet (1910-1986).
Novos grupos No final da decada de 70 surgem grupos irreverentes, de criacao coletiva: o Asdrubal Trouxe o Trombone, que revela a atriz Regina Case (1954-), e o Pod Minoga. Mais serias sao as pesquisas do Pessoal do Vitor sobre o mundo caipira e as montagens inovadoras de Antunes Filho: Macunaima, de Mario de Andrade , e Nelson Rodrigues, o Eterno Retorno. Luiz Alberto de Abreu, Flavio de Souza e Alcides Nogueira destacam-se entre os autores da epoca. O Ornitorrinco, de Caca Rosset (1954-) e Luis Roberto Galizia, comeca como grupo underground, mas depois obtem grande sucesso comercial, com Ubu, de Alfred Jarry, e pecas de William Shakespeare (1564?-1616), encenadas ate nos EUA.
Entre os autores atuais destacam-se, em Sao Paulo, Otavio Frias Filho (1957-), Maria Adelaide Amaral e a dupla Marcos Caruso (1952-) e Jandira Martini. No Rio de Janeiro, o besteirol, de Miguel Falabella (1956-) e Mauro Rasi, evolui do humor inconseqente para textos mais criticos. As montagens de Gerald Thomas (1954-) despertam polemica. Sobressaem ainda os diretores fluminenses Moacyr Goes e Enrique Diaz e o paulista Ulysses Cruz. O mineiro Gabriel Villela (1959-) faz teatro de rua com o grupo Galpao, de Belo Horizonte (Romeu e Julieta), e inova em A Vida E Sonho, de Calderon de la Barca (1600-1681), A Guerra Santa, de Dias Gomes (1922-), e A Falecida, de Nelson Rodrigues.